sexta-feira, 18 de novembro de 2016

?! (4)

------ Não gosto desses ruídos de comunicação, K (.) Mortifica-me um pouco a perfeição das suas certezas. Tudo em você, às vezes, parece excessivamente claro, e a claridade que você demonstra em certos assuntos esconde seu desejo de evasão para dentro da Sombra. Quando estou com você, após uma ou duas noites perfeitas, sempre acabo acordando de repente, com necessidade de defender-me de alguma coisa sem nome. Depois, tento despojar, pelo pensamento, o disfarce que tal necessidade me impõe e não consigo. Ouço batendo nos meus tímpanos seu último resto de ambiguidade e ela parece-me uma pequena chama em extinção que, no entanto, não se extingue nunca (.) ------, ela disse. Eu ainda não tinha segurança nenhuma, para dizer de que lado dos seus próprios sentimentos ela estava. Por que é que a realidade última das coisas tinha que pôr sua cabecinha oca para fora da toca logo agora ??, eu me perguntava. ----- Muitas vezes (eu disse)  explorar o estado em que se encontra alguém que apela aos poderes obscuros da mente é um dos caminhos mais curtos para o conhecimento crítico de tais poderes (.) Cada um desses prodígios, obviamente, tem dois lados ; um voltado para quem o faz, e outro para quem o recebe. O segundo é mais elucidativo que o primeiro, porque já contém em si o segredo deste . Não que se deva temer a imagem grafológica ou quiromântica de alguém, produzida por acaso na própria mente. E é natural se perguntar: ''O que se passa com ele (?)''. Comparar e testar, e tentar tornar as coisas menos confusas. Só poderei desempenhar um certo papel na sua vida se não tiver minha posição constantemente explorada. Estou constantemente sendo atacado e se não é para ter algo diferente de uma guerra ou um inimigo à paisana o amor não vale à pena. Já dei mostras suficientes de que paro em pé sozinho por tempo indeterminado. Mas posso servir em alguma coisa para você. Vejo que todo choque nas suas relações te faz perder a percepção de si e te torna vacilante. Não posso dizer se isso te causa  sofrimento ou não, mas me parece natural que todo mundo a quem alguma coisa não correu bem tente guardar para si as consequências disso. E para se proteger dessa possibilidade, muitos calam seus planos mais queridos. Trata-se de um verniz banal, inútil, que esconde nossas verdadeiras motivações. Por baixo disso, há uma segunda camada, sob a forma de um vago enfraquecimento de energia por ação das descargas emocionais inconscientes; o homem iniciado nos mistérios conhece de perto tais condicionamentos, porque não tem mais corpo emocional. Sabe , inclusive , que a essa segunda camada se segue uma terceira, em que a idéia de subir, como se fossem degraus para um trono, de volta para superfície maculada, substitui nossas emoções por superstições. Bem outra é a situação de alguém após uma série de derrotas, o que não é o seu caso. Quando o iniciado aprende todos os truques para se pôr novamente de pé, se banhando e logo se lavando do sangue de dragão de suas lembranças; quando alguém conhece a fundo sua própria força, não conhece honra, preocupações sociais, auto-importância, nem medo do ridículo, nem postura; nem tem nome, nem pátria, círculo de amigos, consolo ou ilusões; tem sua morada apenas na sua força vital , amplificada pela expansão da consciência. Quando moramos dentro de nossa própria consciência, podemos, muitas vezes, parecer estúpidos ou inacessíveis, vulneráveis ao jogo de aparências do mundo, que procura se vingar de nossa indestrutibilidade nos apresentando como trapos autistas abandonados dentro de um fosso. Procuram nos apresentar acuados, quando na verdade estamos saltando por cima de todos os obstáculos, revolvendo e desinfetando um monte de porcarias do passado e profanando o mundo com nossa língua venenosa. Mas quando estamos assim, aparentemente sujos dos pés a cabeça, é que somos invencíveis (.) -----, eu disse.

K.M.

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